Pesquisadores do IPCCB constituem primeiro biorrepositório de ofidismo da região amazônica

Com o objetivo de ​​avaliar o perfil clínico e inflamatório de acidentes ofídicos e contribuir com a melhoria dos protocolos adotados na assistência aos pacientes, pesquisadores do Centro de Pesquisa Clínica em Envenenamento por Animais (Cepclam), do Instituto de Pesquisa Clínica Carlos Borborema (IPCCB), constituíram o primeiro biorrepositório de ofidismo da região amazônica.

Divulgação
Biorrepositórios são coleções de material biológico coletados, catalogados e armazenados para uso clínico ou de pesquisa.

De acordo com a pesquisadora responsável pelo projeto, a doutora em doenças tropicais e infecciosas Jacqueline Sachett, o biorrepositório já tem 2 anos e o objetivo é ter uma coleção de amostras coletadas por 5 anos. Até o momento, já são 88 amostras de pacientes que procuraram a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) para tratamento após envenenamento por serpentes. Somente a FMT-HVD atende cerca de 160 casos como esses por ano. "Pacientes que procuram a FMT-HVD devido à acidentes ofídicos, oriundos da capital ou do interior, são elegíveis para o projeto. Coletamos amostras nos 3 primeiros dias e, após 7 dias, o paciente retorna para uma avaliação clínico-laboratorial", explica a pesquisadora.

Dra. Jacqueline Sachett. Foto: Érico Xavier - Decon/Fapeam
O processo inflamatório em pessoas que sofreram envenenamento por serpentes ainda é pouco conhecido, por isso, os pesquisadores buscam possíveis marcadores inflamatórios que podem indicar complicações.

"Temos muitas informações sobre análises in-vivo, em ratos; mas em humanos ainda há muitas lacunas. As citocinas e quimiocinas, por exemplo, são elementos inflamatórios que nós ainda precisamos entender melhor. A partir dessas informações em humanos nós poderemos avaliar se existem marcadores de complicações como, por exemplo, complicações renais, aparecimento de necroses, maior probabilidade de sangramento ou se o paciente pode apresentar um quadro mais grave ou mais leve", ressalta Sachett.

Foto: Érico Xavier - Decon/Fapeam

Além de amostras, os pesquisadores também coletam as serpentes levadas pelos pacientes. "Adicionamos as serpentes responsáveis por esses envenenamentos à coleção da FMT-HVD, e as mesmas ficam vinculadas ao nosso biorrepositório e ao prontuário de cada paciente. Para manipular esses animais, contamos com todas as autorizações necessárias”, completa. Para viabilização do estudo, o grupo conta com 5 pesquisadores e 14 técnicos e alunos, bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), que se revezam entre atendimento dos participantes, aplicação de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), entrevistas, processamento e armazenamento de amostras, entre outros. A pesquisa também conta com a coordenação do pesquisador doutor Marco Sartim.


Foto: Érico Xavier - Decon/Fapeam

Em 2021, a pesquisa foi contemplada com financiamento da Fapeam, através do programa 'Amazônidas – Mulheres e Meninas na Ciência', a fim de suprir os custos dos testes laboratoriais, bem como recursos humanos para execução das atividades da pesquisa. São parceiros na pesquisa a Universidade Federal do Amazonas (UEA), o Instituto Butantan, em São Paulo, a Universidade Nilton Lins e a Universidade Federal de Roraima (UFRR). Imagens: Divulgação e Érico Xavier - Decon/Fapeam