Novo medicamento para malária é aprovado pela Anvisa

Manaus será uma das cidades brasileiras a adotar o uso de um novo medicamento para o tratamento da malária Plasmodium vivax, a Tafenoquina. O registro regulatório da droga foi aprovado nesta semana, 29/11, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e tem potencial para facilitar de forma expressiva o tratamento da malária e evitar recaídas. Além de Manaus, Porto Velho/RO também fará parte da implementação. O Brasil é o primeiro país endêmico a aprovar a droga.


Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Clínica Carlos Borborema (IPCCB), localizado nas dependências da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), farão o treinamento dos profissionais de saúde e o acompanhamento do projeto piloto de adoção do novo medicamento. Os pesquisadores da instituição participaram do desenvolvimento clínico da tafenoquina, um processo que durou cerca de 40 anos. O estudo, denominado Trust, é realizado em parceria com a Medicines for Malaria Venture (MMV).


A tafenoquina é o primeiro medicamento aprovado nos últimos 60 anos para o tratamento da principal forma da doença no Brasil, a malária Plasmodium vivax. Um maiores benefícios da droga é sua administração em dose única, enquanto o tratamento atual com primaquina pode levar 7 ou 14 dias.


Para a cura da doença é necessário que o paciente siga o esquema completo de tratamento. De acordo com o médico infectologista e pesquisador do IPCCB, Marcus Lacerda, com o tratamento atual boa parte dos pacientes, ao sentir melhora dos sintomas da doença, abandonam a medicação. As recaídas da doença acontecem quando o paciente não finaliza o tratamento com primaquina, pois o protozoário fica “adormecido” no fígado.


Ao evitar as recaídas esperasse também a redução da circulação do parasita. Quanto menor o número de pessoas doentes, menor será a possibilidade do mosquito transmissor da doença, Anopheles, ser contaminado e transmitir a doença para outras pessoas.

A tafenoquina será administrada em pacientes com idade acima de 16 anos. Não podem tomar o medicamento mulheres grávidas ou lactantes e pessoas com deficiência na produção da enzima G6PD - é estimado que cerca de 5% da população tem a deficiência.. Para receber a droga todos os pacientes passarão por um teste rápido de sangue que identifica a deficiência da enzima.


O estudo de incorporação da tafenoquina está previsto para iniciar no primeiro semestre de 2020 e terá duração de 1 ano. Os resultados da pesquisa irão gerar um relatório que ajudará o Ministério da Saúde a decidir se o uso da tafenoquina é viável e quais as melhores maneiras de disponibilizar a medicação. Também será avaliada a facilidade do uso do teste rápido e a adaptação dos profissionais de saúde e dos pacientes.


Anteriormente, pesquisas clínicas já foram realizadas no Brasil para o uso do medicamento. Os pesquisadores do IPCCB fizeram parte das fases 2 e 3 do estudo.


Histórico - A tafenoquina foi inventada há cerca de 40 anos nos Estados Unidos, a partir da primaquina. Os estudos já realizados apontem resultados positivos, a substância ficou aguardando pesquisas que comprovem sua eficácia e segurança.


*Imagem: Wikimedia commons


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