Estudo publicado no JAMA desaconselha uso de cloroquina para pacientes de COVID-19 grave


Os resultados preliminares do estudo CloroCovid-19 apontam que doses altas de cloroquina (CQ) não devem ser recomendadas para pacientes em estado grave com COVID-19. Doses altas podem apresentar riscos de segurança, especialmente quando a CQ é associada a azitromicina e oseltamivir. Os resultados foram publicados na sexta-feira (24/4) no periódico científico JAMA Network Open.


O CloroCovid-19 tem como objetivo avaliar a segurança e eficácia de duas dosagens diferentes de cloroquina em pacientes em estado grave da doença. Os participantes do estudo são indivíduos de ambos os sexos, com idade acima de 18 anos, que não apresentem contraindicações à cloroquina.


Dos 81 participantes incluídos na pesquisa, um grupo (41 participantes) recebeu a dose alta de cloroquina (600mg - duas vezes ao dia por dez dias) e o outro (40 participantes), dose mais baixa – a mesma preconizada pelo Ministério da Saúde - (450 mg – duas vezes ao dia no primeiro dia e uma vez ao dia por mais quatro dias).


O teste molecular para COVID-19 foi positivo em 31 (77.5%) dos participantes que receberam dose baixa e 31 (75.6%) daqueles que usaram a dose alta. Participam do estudo pacientes com quadro grave de síndrome aguda respiratória, com suspeita clínica de COVID-19 (febre, sintomas respiratórios, tosse, congestão nasal).


Foi observada taxa de letalidade total de 27.2%, 22 dos 81 participantes foram a óbito. Destes, 16 pertenciam ao grupo de dose alta (16 de 41) e 6 ao de dose baixa (6 de 40). O grupo de dose alta apresentou mais alteração de intervalo QTc em comparação ao grupo de baixa dose. Por medida de segurança, os participantes do estudo são acompanhados diariamente.


No dia 5 de abril, uma análise preliminar dos dados foi realizada por recomendação do Comitê de Monitoramento de Dados e Segurança (CMDS), que é externo e independente. Após a análise, o CMDS recomendou a interrupção imediata do grupo de maior dosagem. O braço de menor dose continua ativo. Todos os participantes, ainda em tratamento, do braço interrompido foram imediatamente alocados no braço de menor dose. 


O artigo acompanha, ainda, um editorial do JAMA que pede, com base nos resultados apresentados, cautela no use da cloroquina. “Por ora, os resultados deste estudo devem gerar algum grau de ceticismo às alegações entusiasmadas sobre a cloroquina e talvez sirva para diminuir o uso energético. Por enquanto, médicos prudentes devem discutir com seus pacientes e familiares, quando possível, os possíveis riscos da droga e os benefícios incertos antes de iniciar o uso”. O editorial é assinado por Stephan D. Fihn, Eli Perencevich e Steven M. Bradley.


A pesquisa é liderada por Marcus Lacerda, médico infectologista da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado e especialista em Saúde Pública da Fiocruz - Amazônia.


O estudo é realizado no Hospital e Pronto Socorro Delphina Rinaldi Abdel Aziz, em Manaus/AM e conta com financiamento do Governo do Estado do Amazonas, Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos - Fiocruz), Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível

Superior (Capes), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e fundos federais disponibilizados pelo Senado brasileiro. Os financiadores não participaram do desenvolvimento e condução do estudo. Para acessar o artigo clique aqui. Para acessar o editorial clique aqui.

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