• Caroline Soares

Dados preliminares do Estudo CloroCovid-19 apontam que alta dose de Cloroquina é muito tóxica


Dados preliminares do Estudo CloroCovid-19, publicados em versão preprint no MedRxiv na última sexta-feira (10/4), sugerem que o grupo de pacientes do estudo que usou a alta dosagem de cloroquina (CQ) apresentou maior númerode desfechos graves de origem cardíaca, potencialmente fatais. Análises mais recentes confirmam que a altadose de CQ para pacientes em estado grave pode levar à morte.

Inicialmente, o CloroCovid-19 tinha como objetivo avaliar a segurança e eficácia de duas dosagens diferentes decloroquina em pacientes em estado grave da doença. Participam do estudo indivíduos de ambos os sexos, comidade acima de 18 anos, que não apresentem contraindicações à cloroquina.

Um dos desfechos de segurança é a piora cardíaca após o uso da medicação. A decisão de interromper o braço demaior dosagem foi tomada de acordo com a orientação do Comitê de Monitoramento de Dados e Segurança, que éexterno e independente. A decisão fundamentou-se na observação de um excesso de desfechos letais precoces nogrupo exposto à dose alta de cloroquina. O braço de menor dose continua ativo e todos os participantesincluídos, ainda em tratamento, no braço interrompido foram imediatamente alocados no braço de menordose. 

"Os resultados apresentados servem comoum alerta, oferecendo evidências mais robustas para protocolos de tratamento de Covid-19", explica Marcus ViníciusGuimarães de Lacerda, investigador principal do estudo, pesquisador da Fiocruz Amazônia e médico infectologistada Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD).

De acordo com os dados publicados no MedRxiv, dos 81 participantes incluídos na pesquisa, um grupo recebeu dosealta de cloroquina (600mg - duas vezes ao dia por dez dias) e o outro, uma dose mais baixa (450 mg duas vezesao dia no primeiro dia e uma vez ao dia por mais quatro dias). Esses participantes, bem como os inseridos após essaavaliação, são acompanhados pela equipe de pesquisa por 28 dias após o início da medicação. Pretende-se, ainda, reavaliá-los após 120 dias, com o objetivo de verificar potenciais sequelas.

Até o momento da publicação (10/4), a taxa de letalidade geral por Covid-19 neste estudo foi de 13,6%, ou seja, dos81 participantes, 11 foram a óbito. Destes, 7 pertenciam ao grupo de maior dose e 4 ao de menor dose. Dados maisatualizados da pesquisa, ainda em fase de revisão em revista científica internacional, confirmam as mesmasconclusões, de forma mais confiável.

O estudo é realizado no Hospital Pronto Socorro Delphina Rinaldi Abdel Aziz, em Manaus/AM e conta comfinanciamento do Governo do Estado do Amazonas, ­Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos - Fiocruz), Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal deNível Superior (Capes) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e fundos federaisdisponibilizados por senadores brasileiros.

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