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Após picada de cobra, criança indígena é salva por soro antiofídico enviado por pesquisa

A disponibilização do antiveneno em localidades mais isoladas possibilita a diminuição de tempo para a administração do soro, impactando diretamente na sobrevida das vítimas. Apenas duas semanas após o envio da primeira remessa de soro antiofídico à uma unidade de saúde indígena do Amazonas, a vida de uma criança já foi salva pelo antiveneno. No dia 17 de novembro, 350 ampolas do soro foram enviadas da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) para a Unidade de Saúde Indígena do Polo Belém do Solimões (Alto Rio Solimões). A ação é parte do projeto "Descentralização do tratamento antiveneno nos acidentes ofídicos na Amazônia Brasileira: gerando evidências sobre a segurança", liderado pelo diretor de Ensino e Pesquisa da FMT-HVD e pesquisador do Instituto de Pesquisa Clínica Carlos Borborema (IPCCB/FMT-HVD), Wuelton Monteiro.

Criança recebendo o primeiro atendimento e aplicação do soro antiofídico ainda em casa.

O pesquisador recebeu um relato emocionante enviado pelo professor Altair Seabra, professor de Saúde Indígena da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e aluno doutorando do Programa de Pós-graduação em Medicina Tropical (PPGMT/UEA), que acompanha os primeiros tratamentos realizados no polo indígena. "A equipe de saúde local foi comunicada que uma menina indígena, 8, havia sido picada por uma cobra há cerca de 48 horas, e já se encontrava em estado grave. Imediatamente, a equipe se deslocou até a comunidade levando o soro antiofídico", conta Monteiro. De acordo com o relato de Seabra, a equipe local ficou impressionada ao presenciar a velocidade com que a paciente apresentou melhora. Em menos de 30 minutos, a menina já conseguia sentar-se. A paciente encontra-se bem e em observação na unidade de saúde.

"Esta foi a primeira unidade de saúde indígena a receber o soro e já temos o relato sobre a vida de uma criança sendo salva. É muito gratificante saber que os esforços e anos de trabalho de muitas pessoas estão beneficiando a saúde da nossa população", conta o pesquisador. O grupo trabalha para que no futuro mais 13 polos também possam realizar o tratamento localmente.

Projeto

O projeto está implementando um protocolo simplificado de manejo destes acidentes por profissionais locais, possibilitando a diminuição de tempo para a administração de antiveneno, o que impacta diretamente na sobrevida das vítimas.

Há cerca de 3 anos a equipe de pesquisa se dedica à esta proposta. Antes do início das capacitações dos profissionais de saúde locais, o grupo validou um guia de tratamento dos acidentes ofídicos, com contribuições de especialistas de todo o Brasil.

Cerca de 15 pessoas participam do projeto, entre pesquisadores, alunos de mestrado e doutorado e técnicos, além de gestores do Ministério da Saúde, da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas - Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP/AM), do Instituto Butantan e da Universidade de Duke, nos Estados Unidos. O soro foi doado ao projeto pelo Instituto Butantan.

O projeto é financiado pelo Ministério da Saúde, pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e pelo National Institutes of Health (NIH), nos Estados Unidos. Mesmo com o adiamento de algumas atividades, devido a pandemia da covid-19, o grupo trabalha nos próximos passos.

Fotos: Divulgação.


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